Qual é a melhor moto off road para quem está começando?

Qual é a melhor moto off road para quem está começando?

Diante das diversas opções que o mercado oferece, saber qual moto vai atender às suas necessidades e expectativas é o primeiro passo para aproveitar ao máximo o mundo das trilhas.

Só quem já teve a oportunidade de chegar em um lugar com uma vista incrível, cercado por amigos, depois de ter superado desafios que você até então julgava intransponíveis, entende o que significa fazer trilha. 

O silêncio lá em cima, a paisagem que descortina-se diante dos olhos e a companhia dos amigos, proporcionam sensações indescritíveis e quando se vive isso pela primeira vez, você quer sempre voltar a repetir tudo novamente – e quem vai te levar até lá quantas vezes for possível é sua moto de trilha.

Mas se você está pensando em se tornar um trilheiro e está meio perdido diante de tantas ofertas que o mercado oferece, este artigo é para você.

Vamos te ajudar a encontrar a melhor moto off road para quem está começando!

Como é o mundo off road?

Como é o mundo off road?

Pilotar uma moto na terra é muito diferente de pilotar no asfalto. 

Se você já tem alguma experiência com a pilotagem na rua, certamente vai ter mais facilidade para desenvolver sua pilotagem na trilha, mas prepare-se para encontrar um ambiente bem diferente. 

Justamente pela baixa aderência dos pneus com o solo e pelas imperfeições do terreno, o ambiente off-road vai exigir muito mais habilidade quanto mais difíceis forem as condições onde você irá se aventurar e neste sentido, estar a bordo de uma moto que seja fácil de ser conduzida é primordial para que você não se frustre logo nos primeiros quilômetros.

Qual é a melhor moto off road para quem está começando?

Qual é a melhor moto off road para quem está começando?

A melhor moto off road para quem está começando é, sem dúvidas, a mais fácil de ser conduzida.

No entanto, o que significa uma moto fácil de ser conduzida? 

A resposta desta pergunta passa pela análise de alguns aspectos primordiais como, entrega de potência, leveza, altura em relação ao solo, ciclística, ou seja, como a moto reage quanto à suspensões, comandos para troca de direção e frenagem e confiabilidade. 

Além disso, a moto também precisa ter um preço acessível, ter elevada oferta de peças de reposição a preços competitivos e ser “boa de mercado”, ter boa liquidez, afinal, caso você não curta o negócio, terá mais chances de recuperar o seu investimento – e num prazo relativamente curto.

1. Honda CRF 230 F

Honda CRF 230 F

Fabricada no Brasil, a Honda CRF 230 F é uma das alternativas mais interessantes para quem está buscando a melhor moto off road para iniciantes.

Isso porque possui um motor com potência suave, com fácil controle e que possui um conjunto de embreagem e acelerador macios e excelentes, o que facilita a adaptação dos iniciantes.

Além disso, o modelo não é tão alto quanto as motos importadas, o que pode trazer uma sensação ainda maior de segurança, importante para quem está começando a ter confiança no processo.

Ficha técnica

Mecânica
Motor: monocilíndrico, quatro tempos, OHC, refrigerado a ar
Cilindrada: 230 cm3
Diâmetro e Curso: 65,5 mm x 66,2 mm
Alimentação: carburador
Taxa de Compressão: 9,0:1
Potência: 19,3 cv a 8.000 rpm
Torque: 1,92 kgf.m a 6.500 rpm
Partida: elétrica
Câmbio: seis velocidades

Ciclística
Comprimento x Largura x Altura: 2.059 x 801 x 1.190 mm
Distância entre-eixos: 1.372 mm
Distância do solo: 305 mm
Distância do solo: 305 mm
Suspensão Dianteira: garfo telescópico hidráulico, 240 mm curso
Suspensão Traseira: monoamortecedor com Pro-Link, 230 mm curso
Freio Dianteiro: disco 240 mm
Freio Traseiro: tambor 110 mm
Pneu Dianteiro: 80/100-21
Pneu Traseiro: 100/100-18
Tanque: 7 litros
Peso: 108 kg

2. Honda CRF 250 F

Honda CRF 250 F

Com fábrica brasileira, a Honda CRF 250 F se tornou uma boa alternativa para as pessoas que estão começando a praticar o off road.

Assim como a CRF 230 F, ela também possui acelerador e embreagem macios, um motor com potência mais suave e uma altura menor que as outras motos, permitindo assim a melhor adaptação dos novos praticantes.

Ficha técnica

Mecânica
Motor: monocilíndrico, 4 tempos, OHC, refrigerado a ar
Cilindrada: 249,58 cm3
Diâmetro e Curso: 71 mm x 63,03 mm
Alimentação: injeção eletrônica PGM-FI
Taxa de Compressão: 9,6:1
Potência: 22,2 cv a 7.500 rpm
Torque: 2,28 kgf.m a 6.000 rpm
Partida: elétrica
Câmbio: cinco velocidades

Ciclística
Comprimento x Largura x Altura: 2.180 x 798 x 1.185 mm
Distância entre-eixos: 1.420 mm
Distância do solo: 286 mm
Altura do Assento: 883 mm
Suspensão Dianteira: garfo telescópico hidráulico, 240 mm curso
Suspensão Traseira: monoamortecedor com Pro-Link, 230 mm curso
Freio Dianteiro: disco 240 mm
Freio Traseiro: disco 220 mm
Pneu Dianteiro:  80/100-21
Pneu Traseiro: 100/100-18
Tanque: 6 litros
Peso:  114 kg

3. Yamaha TT-R 230

Yamaha TT-R 230

Você sabia que a Yamaha TT-R 230 é fabricada no brasil? 

Para quem está pensando em começar, e ainda não tem muito conhecimento sobre o esporte, uma moto com um motor com potência suave pode ser uma boa alternativa, visto que ela permite maior controle e adaptação desses motociclistas.

E para ajudar na segurança e conforto dos motociclistas, esse modelo também possui uma característica interessante: não é tão alto quanto os modelos tradicionais.

Ficha técnica

Mecânica
Motor: monocilíndrico, 4 tempos, OHC, refrigerado a ar
Cilindrada: 230 cm3
Diâmetro e Curso: 70 mm x 58 mm
Alimentação: carburador
Taxa de Compressão: 9,5:1
Potência: n/d
Torque: n/d
Partida: elétrica
Câmbio: seis velocidades

Ciclística
Comprimento x Largura x Altura: 2.065 x 800 x 1.180 mm
Distância entre-eixos: 1.385 mm
Distância do solo: 295 mm
Altura do Assento: 870 mm
Suspensão Dianteira: garfo telescópico hidráulico, 240 mm curso
Suspensão Traseira: monoamortecedor monocross, 81 mm curso
Freio Dianteiro: disco 220 mm
Freio Traseiro: tambor 130 mm
Pneu Dianteiro: 80/100-21
Pneu Traseiro: 100/100-18
Tanque: 8 litros
Peso: 115 kg

4. Kawasaki KLX 140

Kawasaki KLX 140

Uma das referências e líder de vendas no mercado norte-americano, a KLX 140 foi criada com foco na agilidade, um rendimento incrível e modernidade. 

Foi desenvolvida com a colaboração entre engenheiros especialistas na prática de off-road e motociclistas, jovens e experientes, que costumam disputar a categoria Pró MX.

Por isso, ela foi pensada considerando as dificuldades e desafios dos atletas durante os percursos, se tornando uma excelente opção para jovens pilotos e pessoas de baixa estatura.

Ficha técnica

Mecânica
Motor: Monocilíndrico, 4 tempos 
Cilindrada: 144 cc 
Diâmetro x curso: 58,0 x 54,4 mm 
Taxa de compressão: 9,5:1 
Sistema de válvulas: SOHC, 2 válvulas 
Sistema de combustível: Carburador PB20 
Ignição: DC-CDI digital 
Partida: Elétrica 
Lubrificação: Lubrificação forçada (cárter úmido) 
Arrefecimento: Refrigeração a ar

Ciclística
Quadro: Perimetral em aço de alta elasticidade 
Curso da roda Dianteira: 190 mm 
Curso da roda Traseira: 200 mm 
Pneu: Dianteiro: 80/100-21 M/C 51M 
Pneu: Traseiro: 100/100-19 M/C 59M 
Caster (rake): 27,0º 
Trail: 116 mm 
Ângulo de esterçamento (Esq/Dir): 41º / 41º
Transmissão: 5 velocidades 
Sistema de acionamento: Corrente de transmissão
Embreagem: Manual, discos múltiplos em banho de óleo
Comprimento total: 2.005 mm 
Largura total: 790 mm 
Altura total: 1.135 mm 
Entre eixos: 1.330 mm 
Altura mínima do solo: 315 mm 
Altura do assento: 860 mm 
Peso em ordem de marcha: 99 kg 
Capacidade do tanque: 5,8 litros
Freio Dianteiro Tipo: Disco simples de ø220 mm formato de margarida 
Freio Dianteiro Pinça: Pistões duplos 
Freio Traseiro Tipo: Disco simples de ø190 mm formato de margarida 
Freio Traseiro Pinça: Pistão simples
Suspensão Dianteira: Garfo telescópico de ø33 mm 
Suspensão Traseira: Amortecedor em alumínio do tipo Uni- Trak; reservatório do tipo piggyback; pré- carga ajustável; compressão ajustável e amortecimento de retorno.

Como são feitos os testes nas motos off road?

Como são feitos os testes nas motos off road?

Certa vez, em uma das minhas viagens à Manaus (AM) para visitar as instalações de uma fábrica, fiquei espantado com a maneira como uma dessas motos era testada: presa a uma viga de ferro, a moto tinha seu giro elevado ao máximo e então, sem dó nem piedade, o funcionário da marca engatava a primeira marcha sem o uso da embreagem. 

A moto dava um salto e então, apagava. Enquanto estive ali assistindo à cruel cena, o fato repetiu-se pelo menos 5 vezes e o objetivo era ficar ali até a moto apresentar algum problema na transmissão para então, ter seu motor aberto, encontrar o foco do defeito e estudá-lo, com o objetivo de produzir a peça que deu problema ainda mais resistente.

É por isso que essas motos são consideradas “indestrutíveis”, passando incólumes pelas mãos de alguns famosos cupins de ferro. 

Exageros à parte com o uso do adjetivo “indestrutíveis”, o fato é que elas foram e são fabricadas com o intuito de serem extremamente resistentes e por isso, costumam não apresentar problemas de fragilidade crônica para quem as leva para usar na trilha. 

Ou seja: não quebram e não costumam dar defeito se conservadas adequadamente, tendo suas manutenções preventivas realizadas à risca. 

Agora, se o seu objetivo for colocá-las no motocross – ou comprar uma que tenha sido usada nesta modalidade – aí a conversa é diferente.

Afinal, as aterrissagens costumam judiar muito do quadro e suspensões destas motoquinhas – que não foram projetados para isso e às vezes, passam a apresentar trincas em determinados pontos, bem como em suas mesas (peças que prendem as bengalas das suspensões e as conectam à caixa de direção e ao guidão) superior e inferior. 

Além disso rodas e raios costumam não aguentar as pancadas excessivas e abrem o bico.

Como surgiu a CRF 230F e por que ela é uma excelente opção?

Caso você não conheça, o fato é que a CRF 230F surgiu a partir de uma demanda levantada pela subsidiária norte-americana da Honda no início dos Anos 2000, que queria uma moto fácil de ser conduzida para servir como primeiro degrau a jovens de 14 a 16 anos que queriam começar no mundo do off-road, tanto nos Estados Unidos como no Canadá. 

Depois de terem sido feitos alguns estudos sobre qual seria a planta mais recomendada para que fosse produzida, concluiu-se que a fábrica brasileira da marca era a mais capacitada a dar vida ao projeto graças à seu êxito na produção de motos como CG 125, a XR 200 e a XR 250 Tornado – motos de comprovado sucesso e confiabilidade que lhe davam credenciais para encarar o desafio.

O pessoal do Brasil abraçou a causa e no final de 2002 (novembro, mais precisamente) as primeiras unidades da moto Made in Brazil vermelhinha baseada na XR 200 começaram a desembarcar dos contêineres na Terra do Tio Sam – e foi um sucesso com a meninada, graças a todas as qualidades que já mencionamos aqui.

Nessa época, por aqui quem queria praticar o off-road tinha de recorrer a motos de rua como as citadas Honda XR 200, XR 250 Tornado, ou as jurássicas Yamaha DT 180, 200 ou 200R ou até mesmo às Honda XLX 250 e 350 ou NX 350 Sahara, que tinham retirados tudo que poderia quebrar ou era dispensável na trilha como painel, piscas e retrovisores. 

Não havia uma moto fabricada especificamente para andar na terra; as marcas tinham receio de oferecer uma moto que não pudesse ser emplacada e usada também na rua. 

Até então, somente em meados dos Anos 80 tivemos uma experiência do gênero, quando a Yamaha apresentou a MX 180, que era uma DT “depenada de fábrica” e a Agrale (sim, houve uma época que ela fabricou motos em sua fábrica de Caxias do Sul) vendeu algumas WXT 125 e 200, que eram o sonho de todo piloto.

Foi então que numa dessas viagens a Manaus (creio que em 2004 ou 2005) vimos uma motinho vermelha parcialmente descoberta com cara de “moto de cross”, que fora esquecida por algum funcionário desavisado num dos cantos da fábrica. 

Bicho curioso que é jornalista, alguns foram lá ver do que se tratava – este que vos escreve incluso – e ali foi o primeiro contato real com a moto, pois até então, só sabíamos de sua existência pela internet. 

Rapidamente, surgiram funcionários da Honda esbaforidos e desesperados para esconder a moto, mas já não havia mais o que fazer.

Se nesta época a pressão da mídia especializada sobre a marca para que lançasse a moto por aqui já era grande, a partir deste episódio tornou-se ainda maior, mas a Honda continuou relutando, receando que isso pudesse ser um fracasso de vendas e somente no final de 2006 tomou coragem e decidiu oferecer a moto aos brasileiros.

História semelhante ocorreu com a Yamaha, que em 2005 passou a fabricar as TT-R 125 e 230 para exportação para o mercado norte-americano. 

Em 2007, ela convidou um grupo de jornalistas para um evento em sua sede em Guarulhos (SP) e lá apresentou as duas motos oficialmente.

As motos fizeram um grande sucesso com o aficionado pelo off-road e mudaram para sempre a cara do trail no Brasil e hoje, elas são a grande maioria nas provas e eventos espalhados pelo país. 

Mas lembra que comentei que a moto foi pensada e fabricada para jovens de 14 a 16 anos que estavam começando no off-road? 

Pois é, essa regra, obviamente, não se aplicou por aqui, onde tais motos são usadas por pessoas de todas as idades, portes físicos e níveis de experiência, o que só atesta com ainda mais propriedade o nível de confiabilidade e usabilidade destas guerreiras do trail.

Mas antes de finalizar este texto, quero deixar um alerta: não se deixe levar pelo orgulho. 

Existem pessoas que não querem começar no off-road pilotando uma moto nacional por achar que isso o faria menor, que isso poderia afetar o seu status – que idiotice! 

Então, comprou uma moto importada que custa pelo menos três vezes mais que uma nacional, mas que também, é muito mais forte e arisca, além de ser mais alta. Aí o que aconteceu? 

Na primeira trilha, sofreu tanto, apanhou tanto da moto, que na primeira oportunidade, desfez-se dela e dos equipamentos – claro, levando prejuízo, mentindo para todo mundo e até para si, que “não tinha curtido”. 

Claro, quis colocar o carro na frente dos bois! Meu pai ensinou-me quando eu era pequeno que não se começa construindo uma casa pelo telhado; que devemos começar debaixo, com humildade, mas com muita vontade de crescer e melhorar. 

Levo este mandamento para tudo em minha vida até hoje e não me arrependo e espero que você o leve em consideração para não cair nesta armadilha e desistir antes de ter aprendido a pilotar na trilha – e as motos nacionais serão suas melhores professoras na escolha das trilhas.

Quer saber como fazer o investimento e encontrar a melhor opção para você? Leia nosso artigo Quanto custa uma moto de trilha? e tire suas dúvidas!

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